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Filipe Grimaldi resgata arte cartazista de SP em aula de pintura de letra

Sté Reis

31/07/2018 19h47

Filipe estuda gráfica popular latino-americana e o ofício do fileteiro (Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool)

Há treze anos estudando a arte das letras latino-americana, o designer Filipe Grimaldi traçou seu caminho na contramão da digitalização da arte. Enquanto programas como Photoshop, Illustrator e InDesign se tornavam mais populares, Filipe escolheu as tintas e pincéis e buscou inspiração no cuidado manual dos cartazes de rua, fileteados de caminhões e placas de comércios populares.

A curiosidade o motivou a fazer estudos de pintores de letra nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil em parceria com projetos como Abridores de Letra do Pernambuco, que mapeiam letristas locais. Em contato com os artistas, ele pintava os alfabetos estudando similaridades e referências históricas em busca de suas origens. Atualmente, seu acervo conta com 12 alfabetos latinos, de países como Peru, Argentina e Colômbia.

Aula ministrada por Filipe é gratuita e aberta ao público (Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool)

No Brasil, as placas de comércios populares no centro antigo de São Paulo, principalmente na rua 7 de Abril e na Galeria Olido, juntamente com os filetados de caminhões, são a principal herança da gráfica popular. Em busca do resgate não só da arte, mas do ofício vernacular, Filipe já ministrou mais de mil aulas de capacitação nos SESCs brasileiros e desde 12 de julho mantém o ateliê aberto na Red Bull Station. 

Exposição em cartaz na Red Bull Station (Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool)

"Antigamente, o fileteador ficava nas praças e lá recebia carroceiros, caminhoneiros ou pessoas em busca do serviço. Com a chegada das grandes impressoras e a proibição dos cartazes pelo ex-Prefeito Gilberto Kassab, os letristas deixaram os pincéis para imprimir placas", explica. De acordo com a pesquisa, sessenta mil pessoas perderam seus empregos desde a chegada dos maquinários digitais. "Nesse período, São Paulo perdeu suas heranças", comenta.

Curso ensina a usar o pincel e entender as regras das letras (Felipe Gabriel / Red Bull Content Pool)

Por isso, o principal trabalho de Filipe é trazer essa cultura de volta, paralela a valorização do trabalho artesanal e humanizado. Em uma vivência de duas horas, ele ensina o básico para que as pessoas se aproximem dos pincéis sem medo do resultado. "A nossa educação artística é muito bruta, muita gente acha que não pode desenhar quando, na verdade, basta molhar o pincel e seguir algumas regras."

Ateliê aberto de pintura em letra
Onde: Red Bull Station
Quando: sábado (4/8), das 13 às 19h
Saiba mais no Ateliê Sinlogo

Sobre a autora

Nascida e criada na periferia de São Paulo, Sté Reis estudou Jornalismo na São Judas e desde então escreve sobre sua relação com as ruas da capital. Se especializou em cultura underground, música e feminismo, foi repórter em UOL Entretenimento e tem textos publicados no Zona Punk, Youpix, Brainstorm9, Deepbeep, Rolling Stone, MTV e Facebook Brasil. É assistente de conteúdo do DJ Marky, do rapper Projota, e compartilha seus achados no Malaguetas, há mais de dez anos no ar.

Sobre o blog

Histórias de quem ocupa a cidade e dicas de intervenções urbanas, música, cultura pop e esportes de rua para quem encara o asfalto de São Paulo e busca novas formas de viver a capital.